sexta-feira, 28 de junho de 2013

SONHOS E UTOPIA...

 
Na meninice sonhamos com fadas e duendes, com gnomos, fadas e princesas... nos fomentos difíceis da vida, temos esperança de que tudo irá mudar... nos momentos de desânimo, agarramos a fé com unhas e dentes... quando envelhecemos já não sonhamos com as  fantasias da infância, mas continuamos a sonhar com um mundo sem a atribulações que viemos encontrar no dia em que nascemos, que foram sofrendo mutações, tornaram-se imunes a alguns tipos de sentimentos... pois o desespero é um condimento muito usado no crescimento humano, corroendo-nos no quotidiano, com uma vontade apenas possível de encontrar nos desiludidos da vida... e eles são tantos... tantos...
Sonhar até é bacano, dá para viver uma fantasiosa vida de ilusões, porque a ilusão não é uma fantasia de per si, mas a fantasia configurará uma ilusão... porque é utópico pensar-se ser possível alguém se iludir com um país fantasiado de democrático, pois a democracia é não só um estado de alma, como um estado de espírito... mas  um espírito dotado de identidade, não corruptível nas ideias que tece, para poder ser digno de ser chamado justo.
 
 
Uma vez por outra lá aparece aquela situação de haver democracia e não se saber, porque os pasquins, que se vão publicando um pouco por toda a parte, teimam em chamar os bois pelos nomes... mas nem sequer sabem distinguir estes animais dos ronceiros jumentos, que transportavam os grãos de trigo para os  moinhos e a farinha para casa do moleiro, mas foram substituídos nesta tarefa pelo tractor ou pela carinha 4x4, como o foram os moinhos da nossa infância, tão cantados pelos poetas de antanho.
É curioso o facto de as democracias pressuporem a existência de ditaduras, estando-lhe muitas das vezes feitas reféns.
 
 
As leis que ditam o ser democrático dizem que temos de fazer isto ou aquilo... mas também dizem que aquela ou aqueloutra situação ficam inibidas, banidas, proibidas... e numa democracia não pode haver lugar para a palavra PROIBIR, que deve ser banida dos dicionários para todo o sempre, tal como o SOFRIMENTO, a DOR, o ÓDIO, a GUERRA, a FOME... pois todo o Homem terá naquele que vive ao seu lado alguém que não é sonho nem utopia, mas uma realidade palpável, a que nos une o mais perfeito dos sentimentos: A AMIZADE, como irradiação do AMOR entre todo o género humano.  

sábado, 15 de junho de 2013

VOLTAR À TERRA...

Sonhar era fácil ontem? E hoje? Amanhã é utópico pensar-se que a vida pode estar dependente das boas ou más disposições de Morfeu, pois do sonho ao pesadelo há apenas uma fina linha imaginária, se alguém pode chamar de imaginário um traço que vai do segundo à hora, desta ao dia, à semana, ao mês, aos anos sucedidos em catadupa até que a Ceifeira vem segar a seara de uma vida amadurecida no entretém dos sonhos passados.
A terra, quando se sente abandonada pelo homem que a devia cuidar, costuma ser dura nos castigos que aplica, pois manda  fazer redução nos frutos das más práticas agrícolas, deixando o homem à míngua do pão... que não fez por merecer, porque descurou o cumprimento taxativo do contrato que um dia a enxada dos avoengos assinou com ela, obrigando-se então o homem a regar a terra com o suor do seu rosto... e a terra daria 100 por 1 na hora da colheita!
Depois vieram as máquinas, e novo contrato foi feito, para manter a terra satisfeita com a acção do homem, chegando a dar-lhe bónus de 200 por um e até mais... mas depressa o homem trocou os benefícios da terra pelo fato de macaco da fábrica, a gravatinha ao pescoço, o teclado do computador ou a cadeira de gestor da fábrica que, graças à inovação, vai pagando chorudos vencimentos compensatórios pelo abandono da terra que lhes dava o pão... mas a inovação vai retirando necessidade de braços para a indústria, os lucros da empresa começam a afundar-se e o gestor acaba largado nas ruas do sonho desfeito... e a terra vai-se sentindo vingada a cada dia que passa, pois o pão também se acaba um dia, só que chorar já não resolve nada!
Não sei se  aquilo que acabo de referir não será 'apenas' o reflexo de um pesadelo, pois os pesadelos apenas são o fruto de um cérebro que está cansado e não uma realidade da vida... ou será o preâmbulo de um fim anunciado?
Hoje sonha-se voltar à terra... mas não sabemos se ela já perdoou a traição que foi a denuncia de um acordo de séculos feito entre os homens que aprenderam a amar a terra... até que a ganância tomou conta das consciências e perverteu os sentimentos pela terra de tal forma que até as belezas que o Criador deixara para regalo dos homens de todos os tempos acabassem  destruídas na sua maioria, porque ao homem apenas interessava o poder, fosse ele do dinheiro, das armas, da prepotência, da crueza de vida para com aqueles que não se vergam aos seus caprichos.
Voltar à terra vai demorar algum tempo a assimilar... mas é uma esperança que não pode ser menosprezada, pois será a terra quem poderá conceder ao homem mais uns séculos de felicidade... enquanto não voltar a ter um ataque de novo-riquismo bacoco!
Voltar à terra...  Utopia? Brincadeira? Necessidade?
Sonhar é fácil... e ainda nem paga imposto, sabiam?