sábado, 15 de junho de 2013

VOLTAR À TERRA...

Sonhar era fácil ontem? E hoje? Amanhã é utópico pensar-se que a vida pode estar dependente das boas ou más disposições de Morfeu, pois do sonho ao pesadelo há apenas uma fina linha imaginária, se alguém pode chamar de imaginário um traço que vai do segundo à hora, desta ao dia, à semana, ao mês, aos anos sucedidos em catadupa até que a Ceifeira vem segar a seara de uma vida amadurecida no entretém dos sonhos passados.
A terra, quando se sente abandonada pelo homem que a devia cuidar, costuma ser dura nos castigos que aplica, pois manda  fazer redução nos frutos das más práticas agrícolas, deixando o homem à míngua do pão... que não fez por merecer, porque descurou o cumprimento taxativo do contrato que um dia a enxada dos avoengos assinou com ela, obrigando-se então o homem a regar a terra com o suor do seu rosto... e a terra daria 100 por 1 na hora da colheita!
Depois vieram as máquinas, e novo contrato foi feito, para manter a terra satisfeita com a acção do homem, chegando a dar-lhe bónus de 200 por um e até mais... mas depressa o homem trocou os benefícios da terra pelo fato de macaco da fábrica, a gravatinha ao pescoço, o teclado do computador ou a cadeira de gestor da fábrica que, graças à inovação, vai pagando chorudos vencimentos compensatórios pelo abandono da terra que lhes dava o pão... mas a inovação vai retirando necessidade de braços para a indústria, os lucros da empresa começam a afundar-se e o gestor acaba largado nas ruas do sonho desfeito... e a terra vai-se sentindo vingada a cada dia que passa, pois o pão também se acaba um dia, só que chorar já não resolve nada!
Não sei se  aquilo que acabo de referir não será 'apenas' o reflexo de um pesadelo, pois os pesadelos apenas são o fruto de um cérebro que está cansado e não uma realidade da vida... ou será o preâmbulo de um fim anunciado?
Hoje sonha-se voltar à terra... mas não sabemos se ela já perdoou a traição que foi a denuncia de um acordo de séculos feito entre os homens que aprenderam a amar a terra... até que a ganância tomou conta das consciências e perverteu os sentimentos pela terra de tal forma que até as belezas que o Criador deixara para regalo dos homens de todos os tempos acabassem  destruídas na sua maioria, porque ao homem apenas interessava o poder, fosse ele do dinheiro, das armas, da prepotência, da crueza de vida para com aqueles que não se vergam aos seus caprichos.
Voltar à terra vai demorar algum tempo a assimilar... mas é uma esperança que não pode ser menosprezada, pois será a terra quem poderá conceder ao homem mais uns séculos de felicidade... enquanto não voltar a ter um ataque de novo-riquismo bacoco!
Voltar à terra...  Utopia? Brincadeira? Necessidade?
Sonhar é fácil... e ainda nem paga imposto, sabiam?

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