quinta-feira, 12 de setembro de 2013

SONHAR... AINDA É BARATO...

Sempre que se aproxima qualquer acto eleitoral, nem que seja para o clube do bairro, há sempre um estranho comportamento das pessoas envolvidas no mesmo acto, pois acontece verificarem-se branqueamentos de personalidade, falsa afabilidade, uma amizade perversamente mentirosa, na maioria dos casos, porque o que se pretende é o voto.
É aqui que costumo sonhar com aquilo que irá ser a ida às urnas... e raramente me engano naquilo que o meu cérebro adormecido congemina como futuro.
Porque passei parte da minha vida em missão de soberania em África, lógico se torna ter sonhado muitas vezes com Angola e Moçambique, sendo um dos sonhos mais enigmáticos que tive aquele em que vejo uma enorme jiboia a ser alimentada à mão por um indígena, que a vai criando gorda e viçosa, mas também terrivelmente perigosa.
Quem me poderia explicar o significado senão o futuro? A jiboia cresceu, tornou-se um troféu apetecido, mas o tratador, que lhe deu o que tinha e não tinha, manteve a sua pobreza ancestral, a sua fome de tudo, porque não será uma cobra gigante a aperceber-se do que seja dessas coisas de justiça, de liberdade, de igualdade... porque ela é que tinha de ser apaparicada e alimentada, e o escravo humano nada poderá contra o monstro que criou!
 
É nesses sonhos que o meu espírito aventureiro se diverte a conhecer novas paragens, gentes diferentes, costumes invulgares para os nossos padrões de vida. Pergunto-me, muitas vezes, qual seria a reacção dos nossos navegadores quando lançavam padrões nas novas terras a que aportavam, perante a presença dos naturais que, mesmo sem saberem como entender o que diziam os estrangeiros que haviam chegado às suas aldeias, os convidavam a partilhar da sua mesa, que era bastante frugal mas era fruto do seu bem querer para com os senhores que os visitavam.
E assim se justificam 500 anos de permanência de Portugal no mundo que descobriu, se bem que bastaram algumas horas de devaneio revolucionário para reduzir a pó a gesta dos nossos antepassados.
O poeta pergunta: VALEU A PENA? E responde: TUDO VALE A PENA... SE A ALMA NÃO É PEQUENA!
E como o sonho não pode ser escolhido a nosso belo prazer, lá vem o desprazer das eleições, desta vez para escolher quem deverá conduzir os nossos Municípios, mas o meu cérebro pensa logo em ladrões, que identifica com os políticos, e o resultado não é de molde a motivar a minha deslocação à Assembleia Eleitoral onde deveria entregar o papelinho com a minha escolha. Pelo cartaz fica tudo esclarecido, não é verdade?
O que vale é o sonhar ainda não pagar taxa de utilização, imposto ou outra coisa qualquer que as 'tróikas' deste mundo vão impondo ao nosso pobre País.

Sem comentários: