sábado, 8 de fevereiro de 2014

RESIGNAÇÃO E DETERMINAÇÃO

O mundo, quando recebeu a notícia da resignação do Papa Bento XVI, terá ficado perplexo de tal modo que se terá interrogado:
"Se este homem, um representante de Cristo neste vale de lágrimas, se sente impotente para continuar o seu múnus apostólico sentado na Cadeira de São Pedro... que nos estará reservado a nós, pobres marionetas manipuláveis pelos desígnios de Deus a nosso respeito, pois Ele tudo pode, tudo controla... mas não conseguiu controlar o medo do Papa demissionário - agora emérito -, que não teve forças para levar a sua Cruz até ao cimo do seu Calvário?"
Não é possível saber-se as motivações de Joseph Ratzinger para tomar a decisão de abandonar a barca de Pedro, mas a sua figura já era a de um Homem que estava em sofrimento, que prefigurava alguém derrotado não se sabe porquê nem por quem! Sendo alguém contemplativo, virado para as coisas do Alto, surpreendeu que não tivesse sabido ler os sinais que lhe enviava o Altíssimo, pois se ele 'falava' frequentemente com o seu Mestre e Senhor, deveria conseguir interpretar as parábolas deste, porque quando Cristo diz ser o Reino dos Céus semelhante a uma grande seara, que tem falta de trabalhadores, também se refere a ele, Papa, pois ele deveria ser o primeiro trabalhador dessa seara... e um trabalhador satisfeito com o seu Senhor não abandona o trabalho a meio.
Quando se diz "Deus providenciará!" aludindo à confiança que nos é necessária para prosseguir o caminho que leve à Redenção do género humano, resgatado pelo sacrifício maior de Cristo na Cruz, onde verteu o Seu Sangue em resgate da Humanidade, é necessário acrescentar-se que Ele não nos impõe condição maior do que o Mandamento do Amor: "AMAI.-VOS COMO COMO EU VOS AMEI" - disse Jesus.
E a prova de que Ele está atento às necessidades da Sua Igreja, do Seu Povo Santo e Sacerdotal, mandou  outro Francisco, como outrora se ouvia contar:
" E São Francisco, esperando no Senhor Jesus Cristo que domina os espíritos de todo ser vivo, desprotegido de escudo ou capacete, mas munindo-se com o sinal da santa cruz, saiu pela porta com um companheiro, lançando toda a sua confiança no Senhor, que faz aquele que nele crê andar sem nenhuma lesão sobre a serpente e a víbora e calcar aos pés não só o lobo, mas até mesmo o leão e o dragão (cf. Sl 90,13). E assim Francisco, o fidelíssimo cavaleiro de Cristo, não cingido de couraça nem com espada, não levando às costas arco nem arma bélica, mas munido com o escudo da santíssima fé e com o sinal-da-cruz, começou a percorrer com constância o caminho [que era] duvidoso para os outros. E, estando muitos a observar dos lugares a que haviam subido, eis que aquele terrível lobo correu contra São Francisco com a boca totalmente aberta. Contra ele São Francisco interpôs o sinal-da-cruz e, pela virtude divina, deteve o lobo longe tanto de si quanto do companheiro, reteve-lhe a corrida e fechou-lhe a truculenta boca aberta. E finalmente chamando-o, disse-lhe: “Vem cá, irmão lobo, e da parte de Cristo te ordeno que não faças mal nem a mim nem a qualquer outro”.
O Jesuíta Argentino Cardeal Jorge Mário Bergolio, de 76 anos, que se tornou no primeiro Papa oriundo das Américas, era Arcebispo de Buenos Aires, um pastor simples e humilde que se dedicou por inteiro à sua diocese, sendo amado por todos pelo seu zelo pastoral e pela bondade amplamente manifestada.
A sua figura bondosa e de sorriso cativante, faz lembrar o Papa João Paulo I, enquanto o porte físico recorda João XXIII.
Pela forma como tem exposto a sua doutrina, pelo amor pelos pobres e desfavorecidos, pela reconciliação que propõe para todos os que foram colocados em situação de exclusão, como os filhos de pais não casados, os divorciados, os membros de outras confissões religiosas, cristãs ou não, a par de outras mudanças que tem protagonizado, dão aos crentes e não crentes a certeza de que não é o facto de haver agora dois Papas que as coisas vão mudar, pois um resignava-se a ver a Igreja a ser coberta pelo nevoeiro da apostasia, da descrença, do abandono do culto, da fé periclitante e sem expressão que tomou conta de alguma juventude, enquanto o outro está a procurar reforçar os alicerces de uma Igreja verdadeiramente virada para Cristo, com Cristo e em Cristo!