quarta-feira, 31 de março de 2010

PÁSCOA DE RESSURREIÇÃO

É aquilo que desejo aos meus Amigos, com SAÚDE, AMOR e a PAZ d'Aquele que RESSUSCITOU para que tenhamos Vida em abundância!
CRISTO, NOSSA PÁSCOA, RESSUSCITOU! ALELUIA!!!
Congratulemo-nos com Aquele que deu a Vida e Ressuscitou por amor dos Homens de ontem, de hoje e de sempre!
Pelo Baptismo também ressuscitámos com Cristo para uma vida nova!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Poesia Portuguesa


UM CAMPO BATIDO PELA BRISA
*
Há dias em que a tua nudez

é como um barco subitamente entrado pela barra.

Como um temporal. Ou como

certas palavras não inventadas,

certas posições na guitarra

que o tocador não conhecia.

A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo

para um lado misterioso e frágil.

Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe

contorno, peso. Destrói o meu corpo.

A tua nudez é uma violência

suave, um campo batido pela brisa

no mês de Janeiro quando sobem as flores

pelo ventre da terra fecundada.

Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas

com o vocabulário da tua nudez.

Tenho um «pensamento despido»;

maturação; altas combustões.

De mão dada contigo entro por mim dentro

como em outros tempos na piscina

os leprosos cheios de esperança.

E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete

que lanço com mão tremente desastrada

para rebentar e encher a minha carne

de transparência.

Sete dias ao longo da semana

trinta dias enquanto dura um mês

eu ando corajoso e sem disfarce,

iluminado, certo, harmonioso.

E outras vezes sucede que estou:

inquieto.Frágil.Violentado.

Para que eu me construa de novo

a tua nudez bascula-me os alicerces.
*
Fernando Assis Pacheco,

in "A Musa Irregular"

terça-feira, 9 de março de 2010

Poetas imortais

Sou um guardador de rebanhos
*
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.