domingo, 26 de dezembro de 2010

ANO VELHO... ANO NOVO...

Quando os sinais de que alguma coisa está a terminar se tornam mais evidentes, começa em nós a manifestação de algo que o vulgo chamará de saudade, mas a que também poderá dar-se o nome de solidão, nostalgia ou o que possamos fazer uso para tornar presentes aqueles ou aquelas a quem amamos... ou mesmo um lugar, uma coisa, um animal que se hajam entranhado de tal forma no nosso subconsciente que passaram a fazer parte indelével do nosso quotidiano... ao ponto de a sua ausência nos fazer sentir a tal coisa a que chamamos saudade, que por vezes e ainda que pareça incrível, pode mesmo matar!
Quando chegamos ao Natal, logo começamos a fazer a grande interrogação sobre o Velho Ano que está prestes a dar as últimas passadas de regresso ao passado, abrindo as portas de par em par a um Novo Ano que estará mesmo para chegar, cheio de incógnitas, de apreensões herdadas das certezas e incertezas que se tornaram uma constante no Ano que se despede.
2010 não terá sido, de modo algum, o portador de histórias ou acontecimentos que possam considerar-se dignos de nos deixar saudades, seja o ano visto pelo prisma que se queira vêr, já que foi um ano miserabilista para muita gente que se viu sem trabalho, sem pão, sem saúde, sem lar...e até sem vida!
As catástrofes, os acidentes, as incidências de intempéries inclementes que nos assolaram e deixaram na miséria tantas pessoas que tinham o seu sustento e o dos seus naquilo que a terra produz, mais agudizaram o sinistro espectro que havia sido trazido pelo encerramento de empresas, reduzindo de uma forma drástica a capacidade de gerar empregos onde os Portugueses pudessem satisfazer as suas necessidades familiares mais prementes.
Por certo o Novo Ano poderá renovar a nossa Esperança em melhores dias, mas será preciso que todos sejam solidários para levar a bom porto os desejos, sempre renovados, de que o Ano de 2011 seja realmente de mudança, com TRABALHO, SAÚDE, PÃO, AMOR, SOLIDARIEDADE, PARTILHA, BEM ESTAR SOCIAL PARA TODOS.
É AQUILO QUE AUGURAMOS PARA TODOS:
UM BOM ANO!!!
CONTINUAÇÃO DE BOAS FESTAS!!!
JESUS VEIO RENOVAR A ESPERANÇA DO MUNDO!!!
ALEGREM-SE OS CÉUS... REJUBILE A TERRA!!!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

NATAL... TEMPO DE AMOR E PAZ !...

E É ASSIM QUE DESEJO, A TODOS QUANTOS ME LEIAM, UM NATAL DE PAZ, PLENO DE AMOR E ALEGRIA! CRISTO NASCEU PARA NÓS! ALEGREMOS OS NOSSOS CORAÇÕES! E QUE O ANO NOVO SEJA VENTUROSO E PLENO DE FELICIDADE!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ESTAMOS NO NATAL...

ADVENTO DE CRISTO
.
Desde os tempos de menino,
mal chegava o Advento
ficava com o pressentimento
de que era um tempo divino
aquele que se ia viver,
pois passado algum tempo
um Deus Humano iria nascer...
... não um Humano qualquer,
pois será Força, será Alento
e mesmo nascido de Mulher
será o Divino Rebento!
Está destinado a ser
Salvação da humanidade,
grande em Justiça ... Caridade...
o paladino da Verdade,
eterno arauto da Boa Nova
que a nossa Fé põe à prova!
E será sempre no Seu Natal
que viveremos a memória
da mais fantástica história
cuja origem foi o Amor
que a Criança de Belém,
embalada por Sua Mãe
nos quis deixar por penhor!
Paremos para pensar...
...reflectindo por um momento
no Natal que vai chegar...
Jesus, o Menino ternurento
convida-nos sempre a orar
erguendo os olhos para o Pai,
que é Rei do Universo...
rezemos em prosa ou verso
o que no peito nos vai
por tantos que não têm pão,
pelo pobre que estende a mão
procurando a caridade
de quem é pobre, na verdade,
por não socorrer um irmão!
E no Advento de Cristo Infante
brilhem as luzes de cor
a iluminar por um instante
os corações sem Amor...
...e Jesus terá de nascer
pois pelo Homem irá morrer.
Foi assim que se fez a História
desse Cristo nosso Irmão
cuja Morte nos trouxe a glória
que é a eterna Salvação!
.
Victor Elias

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

MADDIE... ESTEVE EM PORTUGAL?

A fotografia que acima se publica, se fosse tirada a uma criança de cara lavada, poderia ser referenciada como sendo de Maddie, o que não corresponde à verdade, porque se trata simplesmente de uma criança de etnia cigana... que até mostra alguma felicidade que não seria muito natural numa criança que houvesse sido tirada aos pais por um bando de tenebrosos traficantes de criancinhas... acreditando-se que comer criancinhas ao pequeno almoço apenas é atributo reconhecido aos Comunistas. Será que foram eles que a levaram?
Num relatório recente, de uma equipa de Investigadores Privados Europeus, conclue-se não haver fundamento para prosseguir buscas para localização de Madeleine Mc Cann.
O relatório assenta nos depoimentos de clientes do Ocean Club, em Lagos - Portugal, no momento do alegado desaparecimento de Maddie e de muitos habitantes da Aldeia da Luz, os quais referem unânimemente nunca ter visto a família Mc Cann com três crianças, mas sim com duas. Este facto foi escondido da opinião pública, sendo apenas conhecido das empresas de Comunicação que asseguraram a boa imagem pública da família Mc Cann.
O estudo, que se prevê sair dentro de alguns dias, antecipava até a dúvida sobre a própria existência da pequena Maggie. Com efeito, tendo ficado provado nos processos que Gerry não é pai biológico da menina, existem fortes indícios de que as amostras de ADN não sejam da criança, mas apenas da mãe. Tal situação explica, segundo os investigadores, a correspondência do sangue encontrado no veículo automóvel, alugado 21 dias depois do forjado "desaparecimento", com o da pretensa "mãe" de Maggie.
Por outro lado, segundo revela o relatório, não há qualquer indício de que o casal tenha entrado em Portugal com 3 crianças, nem foi, até agora, descoberto qualquer registo de nascimento de alguma criança com o nome de Madeleine Mc Cann, filha do casal.
Esta convicção dos investigadores assenta ainda em informações prestadas por amigos pessoais de Clarence Mitchel, porta voz do casal Mc Cann e de alguns dos seus colaboradores directos.
Segundo estes, "Maggie" - figura imaginária - seria um instrumento para a criação de um fundo de solidariedade internacional, projecto há muito desenhado pelos Mc Cann. Obtido esse fundo e resguardado o mesmo em sistema bancário seguro, os Mc Cann contratariam gabinetes de comunicação e advogados dos países envolvidos na operação, com o fim de os protegerem de uma eventual retaliação por parte dos beneméritos do referido fundo.
O esquema da operação compreenderia um fundo visível e um fundo privado da família Mc Cann, sendo que o montante que este geriria - e que corresponderia à maioria das dádivas - seria apenas conhecido do casal, pelo que desta forma o valor dos montantes doados que chegaria ao conhecimento público seria bastante inferior ao que efectivamente fosse recebido.
Estes factos são do conhecimento dos Governos dos países visitados pelos Mc Cann, quando fizeram o seu "roadshow" para obtenção de fundos. Daí que o casal nunca tenha sido oficialmente recebido, pois apesar de, em termos de opinião pública, ter sido referido que o Santo Padre Bento XVI teria recebido o casal em audiência privada, tal nunca aconteceu, havendo apenas uma fotografia que foi captada de forma sábia, na Praça de São Pedro, em Roma, onde aparentemente se vê o casal a ser saudado pelo Papa, quando este circulava a pé junto do público que semanalmente enche a referida Praça nos dias de audiência pública.
As autoridades policiais estão a proceder a análises deste relatório com a máxima descrição, procurando encontrar ligações entre os doadores dos fundos e as redes internacionais ligadas ao tráfico de armas e de estupefacientes e bem assim a investidores imobiliários de Marrocos e do Sul de França.

sábado, 30 de outubro de 2010

NESTE HALLOWEEN 2010...

...QUE TE POSSO DESEJAR?
NESTE HALLOWEEN O SOL NÃO TE POSSO DAR, PORQUE O MUNDO PRECISA DELE PARA SE AQUECER NOS DIAS FRIOS QUE A FALTA DE AMOR, DE PAZ, DE SAÚDE, DE TRABALHO, DE DINHEIRO, DE CONFIANÇA NO PORVIR NOS VÃO PROPORCIONANDO!
DAR-TE A LUA, TAMBÉM NÃO E POR MUITAS RAZÕES, MAS TALVEZ BASTE SABERES QUE ELA AINDA É O SONHO DOS PARES DE ENAMORADOS, QUE SE BEIJAM NA LUA NOVA E TROCAM CONFIDÊNCIAS NA LUA CHEIA...
SABENDO TU QUE OS FOGUETÕES JÁ LEVARAM ATÉ À LUA UM POUCO DO DESALENTO TERRESTRE, TALVEZ TE DÊ O DESEJO DE NÃO A DESEJARES APENAS PARA TI!
MAS... POSSO DAR-TE O ARCO IRIS, SE O CONSEGUES APANHAR NA TUA CAIXA DE MIL CORES! NÃO TO DOU COMO SE DÁ AQUILO QUE É PALPÁVEL, PORQUE ESTÁ FORA DO NOSSO ALCANCE, MAS DOU-TO PINTADO NA TELA DA NOSSA VIDA E ESPERO QUE AS FADAS DO DESEJO TO POSSAM ENTREGAR NESTE HALLOWEEN QUE HOJE PASSA!
É TÃO BONITO SONHAR... MESMO NO DIA DAS BRUXAS, PORQUE ELAS SÃO AQUILO QUE O CORAÇÃO TE DISSER QUE SÃO E NÃO LANÇADORAS DE MAUS FLUÍDOS, PORQUE ESTES NÃO VENCEM UM CORAÇÃO PLENO DE AMOR!
FELIZ HALLOWEEN!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

PÁTRIA PORTUGUESA

Porque hoje é feriado, quem diria...
...julguei isso como alguma brincadeira
mas com tristeza vi gente jovem, neste dia
a perguntar o que era esta Bandeira
.
Ela é simbolo maior de uma Nação
que procurou viver a Liberdade
na República que não é só coração
mas exemplo de Igualdade e Fraternidade
.
Minha Bandeira, tu tens a cor da esperança,
e a côr rubra do sangue dos teus guerreiros,
acharam mundos até onde o sonho alcança
os teus heróis, Soldados e Marinheiros!
.
Os Portugueses descobriram novos mundos,
de que nos fala a tua Esfera Armilar ...
...e as Quinas mostram feitos tão jucundos
como os Castelos, que ousamos conquistar!
.
És a Bandeira de uma Pátria sem igual
símbolo e orgulho de um Povo com altivez
Tu representas este nosso Portugal...
...és bem a Mátria deste Povo Português!
.
Hoje é feriado nesta terra sem rival
que ao mundo deu Heróis... Santos...
...e também Sábios que honraram Portugal
e a Camões inspiraram nos seus cantos.
.
Poema de Victor Elias

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

POESIA PORTUGUESA

IMAGENS QUE PASSAES PELA RETINA
Soneto de Camilo Pessanha
.
Imagens que passaes pela retina
Dos meus olhos, porque não vos fixaes?
Que passaes como a água crystallina
Por uma fonte para nunca mais!...
.
Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncaes,
E o vago mêdo angustioso domina,
- Porque ides sem mim, não me levaes?
.
Sem vós o que são meus olhos abertos?
- O espelho inutil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos...
.
Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão casual de meus medos incertos,
- Estranha sombra em movimentos vãos.

sábado, 14 de agosto de 2010

Lendas de Portugal - Terra da Galega

Uma das mais típicas e progressivas vilas do Ribatejo é a Golegã.
Há muitos anos era apenas uma pequena povoação que os antigos conheciam como "Terra da Galega" e conta-se que este nome deriva de uma história que vale a pena resumir.
No meio da planície ribatejana, distando apenas 5 quilómetros das margens do rio Tejo, podemos encontrar a pitoresca e curiosa Vila da Golegã, onde todos os anos se realiza a tradicional Feira de São Martinho, que é das mais famosas feiras de Portugal.
Esta terra não tem só a história da sua Feira do Cavalo ou de S. Martinho, pois há uma outra história que se prende com as raízes da nacionalidade e nada tem a vêr com o fandango, alma e poesia ribatejana.
Nos tempos a que reporta esta história - reza a lenda muito antiga de onde deriva - estava Portugal a dar os primeiros passos e a Golegã não existia, não passando a zona de um terreno pedregoso e aparentemente inútil. Eram as Terras do Demo - nome porque eram conhecidos todos os terrenos descampados onde não se via viva alma.
Um dia aconteceu uma mulher, oriunda da Galiza e residente em Santarém, se ter metido a caminho para tratar da vida. Tinha pela frente uma longa e penosa jornada. Quando chegou ao local ermo onde hoje se estende a Golegã, pensou decerto o mesmo que pensavam quase todos os caminhantes que por ali passavam, de longada a Santarém ou na direcção de Coimbra. Pensou que seria bom existir ali uma locanda, onde se pudesse descansar um pouco, ganhando novas forças para prosseguir a jornada.
Era uma mulher animosa, aquela. Desde criança que se habituara a trabalhar e a vencer sózinha.
Olhou em redor, enquanto se retemperava, e voltou a pensar na mesma ideia. Eram terras sem dono, essas terras agrestes e abandonadas. E se ela se ficasse por ali? E se ela construísse ali uma pequena estalagem onde se abrigassem os viajantes?... E se bem o pensou, melhor o fez, segundo a lenda. Tinha braços fortes e alma de antes quebrar que torcer. Em pouco tempo ergueu a sua venda, embora modesta, e colocou uma nota de vida naquele local outrora deserto. O viandantes bendiziam a ideia e a Venda da Galega tornou-se paragem obrigatória. A mulher era esforçada e tinha vontade em atender a todos da melhor maneira.
Um dia um fidalgo desenvolto e impertinente requereu para si o melhor quinhão da comida e da bebida.
- Galega, chega aqui... Viste o vinho que me deitastes? - Eram constantes as recriminações, porque queria chamar a atenção dela... por estar interessado em lhe ficar com o local.
Depois de várias peripécias, a Galega aperfilhou a jovem filha de um cliente idoso que lhe adoeceu e morreu na locanda. Este cliente tinha o sonho de ali construír uma povoação, a seguir à estalagem, pelo que a Galega tomou a decisão de levar o sonho do velho por diante, ajudando a orfã a prosseguir o sonho do pai.
O fidalgo insolente que lhe cobiçava a locanda, foi posto a milhas. A Terra das Galega nasceu...cresceu e. mudando de nome, tornou-se na terra da Golegã.
O que faz o querer...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Poesia Camoneana

"Estava a triste Alcione esperando
Com longos olhos o marido ausente;
Mas os irados ventos, assoprando,
Nas águas o afogaram, tristemente,
Em sonhos se lhe está representando,
Que o coração presago nunca mente;
Só do bem as suspeitas mentirão,
Que as do mal futuro, certas são.
.
Ao pranto os olhos seus a triste ensaia;
Buscando o mar com eles, ia e vinha,
Quando o corpo sem alma achou na praia,
Sem alma o corpo achou que na alma tinha!
Nereidas do Egeu, consolai-a,
Pois este triste ofício vos convinha!
Consolai-a; saí das vossas águas,
Se consolação há em grandes mágoas.
.
Mas, óh! néscio de mim! que estou falando
Das avezinhas mansas e amorosas,
Se também teve Amor poder e mando
Entre as feras monteses venenosas?
O leão e a leoa, como ou quando
Tais formas alcançaram temerosas?
Sabe-o da deusa Dindimene o templo,
E a que o deu a Adónis por exemplo.
.
Quem fosse a mansa vaca, di-lo-ia;
Mas o grão Nilo o diga, que o adora.
Que forma tem a Ursa, saber-se-ia,
Do Polo Boreal, onde ela mora.
Em caso de Actéon também diria,
Em cervo transformado; e milhor fora
Que dos olhos perdera a vista pura,
Que escolher nos seus galgos sepultura."
.
Luis Vaz de Camões

quarta-feira, 30 de junho de 2010

POESIA PORTUGUESA...


ONDE ESTÁ DEUS?

Meus Deus, Omnipresente,
porque nos abandonas
quando estamos aflitos?
até a dor nos retornas
sem atender aos nossos gritos!

Olho bem para o céu
vejo no longe da escuridão...
nuvens negras em convulsão
e a esperança esmoreceu;
sinto este ingrato abandono
como uma criança sonhando
que ainda és meu patrono,
sofro como um inocente!
quando não ouves os meus ais
começo a ficar descrente
nos teus poderes celestiais.

Em nome dos meus soldados
deixo-vos a ultima prece:
que os seus corpos maltratados
voltem à terra que os merece!

A vós, companheiros de infortúnio,
deixo a mensagem solene:
combatei a intolerância do poder
por vos negar a seiva perene
que o pó absorve na terra queimada;
nem sempre o querer é dever
se a pátria não nos pediu nada
os deuses também esquecem
os corpos mortos que arrefecem
nesta tragédia da guerra...
consome-se a nossa mocidade,
muito longe da nossa terra
temos mais dor do que saudade!

*
Poesia de um Militar desconhecido
em campanha

sábado, 12 de junho de 2010

Poesia de Timor

Oh! Liberdade!
Falar de Liberdade, é também falar de Timor…
*
Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver;
do cimo dos meus montes,
o quadro roxo
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor.
Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies de capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor.
Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor.
Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor.
Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhe romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!
*
Um poema de Xanana Gusmão
-1998 -

terça-feira, 1 de junho de 2010

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Ser criança...

... é acordar não pensando no amanhã...
...é viver em alegria todos os dias,
contagiando tudo ao redor...
...é brincar com aquilo que se deseja,
transformando tudo como por magia
é poder olhar o mundo e ver nuvens voar...
...é gritar sem ser ouvido, alcançar o arco-íris...
...é poder abrir a porta e percorrer todo o mundo...
...é conseguir encontrar a esperança,
ter coragem de perdoar...
...poder olhar para o outro
e vê-lo sempre como amigo...
...é preocuparmo-nos sómente com a vida.
Poder estranhar o medo,
Não saber o que é ódio ou rancor...
sem mentiras ou falsidades.
O ser criança é…
...saber amar sem ter mágoas...
...é chorar-se sem haver razão...
...é sentir a vida, sentir o amor...
...é ser-se inocente, ter alegria.
É viver feliz, cheio de sonhos,
ter fé num mundo melhor...
...é poder brincar e acreditar nos contos de fadas.
É mergulhar no meio de pétalas,
com toda pureza existente.
É saltar de alegria pela coisa mais pequenina
É sentir-se princesa hoje,
porque amanhã sabe-se lá...
...é olhar-se para as estrelas, sorrindo-lhes...
Ser criança é a primavera da vida
onde nos perdemos de nós mesmos,
e vivemos como se o amanhã não existisse!
Ser criança é o saborear a vida
como se fosse algodão doce
E rebentar mil balões sem o barulho se ouvir.
É dár-mos gargalhadas para o mundo,
com espírito inocente,
e cantar para o céu canções
imaginadas pela nossa fantasia.
Já todos fomos crianças
e sentimos as sensações,
da criança que temos dentro de nós,
escondida,
aguardando, sempre à espreita,
o momento de sair.
Temos de viver como crianças... deixar a vida sorrir.


Poema de
autor anónimo

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Poema P’ra Minha Mãe!...

Mãe!... Em Fátima por ti rezei,
Aos pés da Virgem Maria...
Aonde ali TU estivéstes um dia!

À Mãe de todas as Mães,
Eu pedi uma lembrança...
- um desejo de Menino,... Deus com tanta esperança!

Do teu Colo eu vi Jesus,
A sugar o teu divino alimento...
- da minh’Alma e todo o meu sustento!

No regaço do teu carinho,
Dormi e sonhei muito embora,...
- já então adivinhei o meu e o TEU “ir embora”!

Tudo que é de meu, foi TEU,
Oh Mãe da minha saudade...
- de te ver de novo... quanta vontade!!!???...

Das Mães que eu tive na terra,
Todas, todas,... em TI eu vejo...
E neste dia abençoado, te deixo apenas um beijo!...

*

Um poema de Silvino Potencio

sábado, 1 de maio de 2010

PARA TODAS AS MÃES...

Retrato da Mãe
*
Uma simples mulher existe que,
pela imensidão do seu amor,
tem um pouco de Deus,
e pela constância de sua dedicação
tem um pouco de anjo;
que, sendo moça, pensa como uma anciã
e, sendo velha,
age com todas as forças da juventude;
quando ignorante,
melhor que qualquer sábio
desvenda os segredos da natureza,
e, quando sábia,
assume a simplicidade das crianças.
Pobre, sabe enriquecer-se
com a felicidade dos que ama e,
rica, empobrecer-se para que seu
coração não sangre, ferido pelos ingratos.
Forte, entretanto,
estremece ao choro duma criancinha,
e fraca, não se altera
com a bravura dos leões.
Viva, não sabemos lhe dar o valor
porque à sua sombra todas as dores se apagam.
Morta, tudo o que somos e tudo que temos
daríamos para vê-la de novo,
e receber um aperto de seus braços
e uma palavra de seus lábios.
Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher,
se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum:
porque eu a vi passar no meu caminho.
Quando crecerem seus filhos,
leiam para eles esta página.
Eles lhe cobrirão de beijos a fronte,
e dirão que um pobre viandante,
em troca de suntuosa hospedagem recebida,
aqui deixou para todos
o retrato de sua própria MÃE.
.
Autor desconhecido

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Poesia de Guerra Junqueiro


PORTUGAL
*
Maior do que nós, simples mortais,
este gigante foi da glória
dum povo o semideus radiante.
Cavaleiro e pastor, lavrador e soldado,
seu torrão dilatou,
inóspito montado, numa pátria...

E que pátria!
A mais formosa e linda
que ondas do mar
e luz do luar viram ainda!
Campos claros de milho moço e trigo loiro;
hortas a rir;
vergéis noivando em frutos de oiro;
trilos de rouxinóis;
revoadas de andorinhas;
nos vinhedos, pombais:
nos montes, ermidinhas;
gados nédios;
colinas brancas olorosas;
cheiro de sol, cheiro de mel, cheiro de rosas;
selvas fundas, nevados píncaros,
outeiros de olivais;
por nogais, frautas de pegureiros;
rios, noras gemendo,
azenhas nas levadas;
eiras de sonho, grutas de génios e de fadas:
riso, abundância, amor, concórdia,
Juventude:
e entre a harmonia virgiliana um povo rude,
um povo montanhês e heróico à beira-mar,
sob a graça de Deus a cantar e a lavrar!
Pátria feita lavrando e batalhando:
aldeias conchegadinhas
sempre ao torreão de ameias.
Cada vila um castelo.
As cidades defesas por muralhas,
bastiões, barbacãs, fortalezas;
e, a dar fé, a dar vigor, a dar o alento,
grimpas de catedrais, zimbórios de convento,
campanários de igreja humilde,
erguendo à luz, num abraço infinito,
os dois braços da cruz!
E ele, o herói imortal duma empresa tamanha,
em seu tuguriozinho alegre
na montanha simples vivia
– paz grandiosa, augusta e mansa! -,
sob o burel o arnês, junto do arado a lança.
Ao pálido esplendor do ocaso na arribana,
di-lo-íeis, sentado à porta da choupana,
ermitão misterioso, extático vidente,
olhos no mar, a olhar sonambolicamente...
«Águas sem fim! Ondas sem fim!
Que mundos novos de estranhas plantas e animais,
de estranhos povos, ilhas verdes além...
para além dessa bruma, diademadas de aurora,
embaladas de espuma!

Oh, quem fora, através de ventos e procelas,
numa barca ligeira, ao vento abrindo as velas,
a demandar as ilhas de oiro fulgurantes,
onde sonham anões, onde vivem gigantes,
onde há topázios e esmeraldas a granel,
noites de Olimpo e beijos de âmbar e de mel!»

E cismava, e cismava...
As nuvens eram frotas,
navegando em silêncio a paragens ignotas...
– «Ir com elas...Fugir...Fugir!...»
Ûa manhã, louco, machado em punho,
a golpes de titã, abateu, impiedoso, o roble familiar,
há mil anos guardando o colmo do seu lar.
Fez do tronco num dia uma barca veleira,
um anjo à proa, a cruz de Cristo na bandeira...
Manhã de heróis... levantou ferro...
e, visionário, sobre as águas de Deus
foi cumprir seu fadário.

Multidões acudindo ululavam de espanto.
Velhos de barbas centenárias,
rosto em pranto, braços hirtos de dor,
chamavam-no... Jamais! Não voltaria mais!
Oh! Jamais! Nunca mais!
E a barquinha, galgando a vastidão imensa,
ia como encantada e levada suspensa
para a quimera astral, a músicas de Orfeus:
o seu rumo era a luz;
seu piloto era Deus!

Anos depois, volvia à mesma praia enfim
uma galera de oiro e ébano e marfim,
atulhando, a estoirar, o profundo porão
diamantes de Golconda e rubins de Ceilão!

Pátria

*
Guerra Junqueiro

quarta-feira, 31 de março de 2010

PÁSCOA DE RESSURREIÇÃO

É aquilo que desejo aos meus Amigos, com SAÚDE, AMOR e a PAZ d'Aquele que RESSUSCITOU para que tenhamos Vida em abundância!
CRISTO, NOSSA PÁSCOA, RESSUSCITOU! ALELUIA!!!
Congratulemo-nos com Aquele que deu a Vida e Ressuscitou por amor dos Homens de ontem, de hoje e de sempre!
Pelo Baptismo também ressuscitámos com Cristo para uma vida nova!

segunda-feira, 22 de março de 2010

Poesia Portuguesa


UM CAMPO BATIDO PELA BRISA
*
Há dias em que a tua nudez

é como um barco subitamente entrado pela barra.

Como um temporal. Ou como

certas palavras não inventadas,

certas posições na guitarra

que o tocador não conhecia.

A tua nudez inquieta-me. Abre o meu corpo

para um lado misterioso e frágil.

Distende o meu corpo. Depois encurta-o e tira-lhe

contorno, peso. Destrói o meu corpo.

A tua nudez é uma violência

suave, um campo batido pela brisa

no mês de Janeiro quando sobem as flores

pelo ventre da terra fecundada.

Eu desgraço-me, escrevo, faço coisas

com o vocabulário da tua nudez.

Tenho um «pensamento despido»;

maturação; altas combustões.

De mão dada contigo entro por mim dentro

como em outros tempos na piscina

os leprosos cheios de esperança.

E às vezes sucede que a tua nudez é um foguete

que lanço com mão tremente desastrada

para rebentar e encher a minha carne

de transparência.

Sete dias ao longo da semana

trinta dias enquanto dura um mês

eu ando corajoso e sem disfarce,

iluminado, certo, harmonioso.

E outras vezes sucede que estou:

inquieto.Frágil.Violentado.

Para que eu me construa de novo

a tua nudez bascula-me os alicerces.
*
Fernando Assis Pacheco,

in "A Musa Irregular"

terça-feira, 9 de março de 2010

Poetas imortais

Sou um guardador de rebanhos
*
Sou um guardador de rebanhos.
O rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são todos sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,
Sei da verdade e sou feliz.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O Carnaval... e a vida!

Quando chega o Carnaval
há folguedos e alegria,
estalejam foguetes no ar...
...todos bailam neste dia!
O Entrudo é uma festa
onde reina a confusão...
...estes dias de tanta folia
levam o Povo a esquecer...
...amanhã será outro dia,
poderemos até morrer...
...O Carnaval é, afinal,
um complemento de vida,
porque é o tempo ideal
p'ra vêr a tristeza vencida!
Vamos gozar o Carnaval
sabendo que amanhã
tudo acaba, mas afinal
a vida não será vã!
É o rei Momo quem nos diz
ser tempo p'ra reinação...
...e muito senhor do seu nariz,
goze o Entrudo, pois então!
Depois temos a Quaresma
como um tempo de reflexão!
No Carnaval... goza a vida...
e na Páscoa... a Ressurreição!
Há "Confettis"...serpentinas
vemos máscaras e cortejos...
...reco-recos... concertinas...
bailaricos... mil desejos...
*
Victor Elias

sábado, 23 de janeiro de 2010

Poetas imortais


Criou a Natureza damas belas
*
Criou a Natureza damas belas,
que foram de altos plectros celebradas;
delas tomou as partes mais prezadas,
e a vós, Senhora, fez do melhor delas.

Elas, diante vós, são as estrelas,
que ficam, com vos ver, logo eclipsadas.
Mas, se elas têm por Sol essas rosadas
luzes de Sol maior, felices elas!

Em perfeição, em graça e gentileza,
por um modo entre humanos peregrino,
a todo o belo excede essa beleza.

Oh! quem tivera partes de divino
pera vos merecer! Mas se pureza
de amor vale ante vós, de vós sou dino.
*

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Da Poetisa... com saudade

O POEMA
*
O poema não é o canto
que do grilo para a rosa cresce.
O poema é o grilo
é a rosa
e é aquilo que cresce.
É o pensamento que exclui
uma determinação
na fonte donde ele flui
e naquilo que descreve.
O poema é o que no homem
para lá do homem se atreve.
Os acontecimentos são pedras
e a poesia transcendê-las
na já longínqua noção
de descrevê-las.
E essa própria noção é só
uma saudade que se desvanece
na poesia.
Pura intenção
de cantar o que não conhece.
*
NATÁLIA CORREIA