sexta-feira, 12 de junho de 2009

DIA DE SANTO ANTÓNIO

ORAÇÃO A SANTO ANTÓNIO
*
Santo António! Santo António!
Ó meu santinho tão querido,
Quero pedir-te, em segredo,
se me arranjas um marido.
Não é pra já... nada disso!
porque ainda sou criança,
e não posso ter compromisso,
mas posso ter esperança...
Que vá o tempo passando,
vá o senhor me arranjando...
...em todo o caso, a meu ver,
já que o tempo é tanto assim,
há tempo para escolher
um bom marido pra mim.
Eu quero um moço fagueiro
alto, bonito, valente,
que ganhe bastante dinheiro
e me dê muito presente.
Que seja rapaz direito
e um não tolo atrevido,
pois que seja assim com o jeito
do meu papaizinho tão querido.
Não é pra já, não senhor!
Mas... seja lá como for,
mais dia ou menos dia...
...não quero é ficar pra tia!
*
Poema de: Magdalena Léa

quinta-feira, 11 de junho de 2009

NA NOITE DE SANTO ANTÓNIO...

...olhem as Marchas a passar!
Nos Bairros é o pandemónio
pois todos querem ganhar!
*
Quadra de Victor Elias

Santo Antônio de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo Antônio
Que as moças lhe têm amor.

Esta de decote pequeno,
tem ar modesto e tranqüilo;
Mas vá-se lá descobrir
Coisa pior do que aquilo!

Aquela loura de preto
Com uma flor branca no peito,
É o retrato completo
De como alguém é perfeito.
*
Quadras de
Fernando Pessoa
Sem que discurso eu pedisse,
ele falou, e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
do que disse não gostei.
*
Quadra de António Aleixo
dedicada ao P.Ministro

domingo, 7 de junho de 2009

Momentos de poesia...

CRIME E CASTIGO
-
Essas palavras são testemunhas
de que não esqueço...
testemunham em favor de lembranças...
Não porque as tenha para explicar,
os motivos, mas porque ouço o eco
dos seus significados...
Como sei seus segredos? Roubei-os,
enquanto se repetiam,
e estas palavras tem de confessar!
Se torturo as palavras,
Amarradas nos laços dos meus atos,
é porque elas nunca me deixaram esquecer,
e quanto mais as torturo,
mais elas me fazem lembrar. Esqueci?
São lembranças sobre lembranças,
Porque então mantê-las cativas,
se mesmo o nosso silêncio nos comunica?
Porque movemos o tempo entre nós,
nossas intenções explicitas!
Se estas são apenas inocentes,
é porque merecem qualquer castigo que tenham!
Se são culpadas é por se entregarem
para a própria culpa que não deveria
ser cultivada no lugar dos seus significados,
Que deveriam ser superados
para todo o tempo...
Assim, essas palavras são cada letra:
uma barra, das grades de uma cela,
da prisão sempre próxima,
em longos raios oblíquos em poente
rasgando a unha, o mesmo céu virgem
privado do seu sossego,
se esfregando nos cantos das expressões,
mais vulgares, iluminando-as,
da liberdade de não terem significado...
Vamos, sossega o mundo!
Que animal selvagem nenhum merece castigo,
de crime pior do que nunca ter existido,
e ao se pronunciar, já se inflama
vindo do interior da cela do nada...
e sentencia nosso futuro
à inocência do presente...
.
Poema de autor desconhecido