quarta-feira, 30 de junho de 2010

POESIA PORTUGUESA...


ONDE ESTÁ DEUS?

Meus Deus, Omnipresente,
porque nos abandonas
quando estamos aflitos?
até a dor nos retornas
sem atender aos nossos gritos!

Olho bem para o céu
vejo no longe da escuridão...
nuvens negras em convulsão
e a esperança esmoreceu;
sinto este ingrato abandono
como uma criança sonhando
que ainda és meu patrono,
sofro como um inocente!
quando não ouves os meus ais
começo a ficar descrente
nos teus poderes celestiais.

Em nome dos meus soldados
deixo-vos a ultima prece:
que os seus corpos maltratados
voltem à terra que os merece!

A vós, companheiros de infortúnio,
deixo a mensagem solene:
combatei a intolerância do poder
por vos negar a seiva perene
que o pó absorve na terra queimada;
nem sempre o querer é dever
se a pátria não nos pediu nada
os deuses também esquecem
os corpos mortos que arrefecem
nesta tragédia da guerra...
consome-se a nossa mocidade,
muito longe da nossa terra
temos mais dor do que saudade!

*
Poesia de um Militar desconhecido
em campanha

sábado, 12 de junho de 2010

Poesia de Timor

Oh! Liberdade!
Falar de Liberdade, é também falar de Timor…
*
Se eu pudesse
pelas frias manhãs
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do céu
e ver;
do cimo dos meus montes,
o quadro roxo
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor.
Se eu pudesse
pelos tórridos sóis
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
nas serenas planícies de capim
e sentir o cheiro de animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor.
Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansaço
da natureza sensual
espreguiçando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crianças nuas e descalças
de todo o Timor.
Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensidão do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor.
Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhe romances do povo
a união inviolável dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a Pátria Timor!
*
Um poema de Xanana Gusmão
-1998 -

terça-feira, 1 de junho de 2010

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA

Ser criança...

... é acordar não pensando no amanhã...
...é viver em alegria todos os dias,
contagiando tudo ao redor...
...é brincar com aquilo que se deseja,
transformando tudo como por magia
é poder olhar o mundo e ver nuvens voar...
...é gritar sem ser ouvido, alcançar o arco-íris...
...é poder abrir a porta e percorrer todo o mundo...
...é conseguir encontrar a esperança,
ter coragem de perdoar...
...poder olhar para o outro
e vê-lo sempre como amigo...
...é preocuparmo-nos sómente com a vida.
Poder estranhar o medo,
Não saber o que é ódio ou rancor...
sem mentiras ou falsidades.
O ser criança é…
...saber amar sem ter mágoas...
...é chorar-se sem haver razão...
...é sentir a vida, sentir o amor...
...é ser-se inocente, ter alegria.
É viver feliz, cheio de sonhos,
ter fé num mundo melhor...
...é poder brincar e acreditar nos contos de fadas.
É mergulhar no meio de pétalas,
com toda pureza existente.
É saltar de alegria pela coisa mais pequenina
É sentir-se princesa hoje,
porque amanhã sabe-se lá...
...é olhar-se para as estrelas, sorrindo-lhes...
Ser criança é a primavera da vida
onde nos perdemos de nós mesmos,
e vivemos como se o amanhã não existisse!
Ser criança é o saborear a vida
como se fosse algodão doce
E rebentar mil balões sem o barulho se ouvir.
É dár-mos gargalhadas para o mundo,
com espírito inocente,
e cantar para o céu canções
imaginadas pela nossa fantasia.
Já todos fomos crianças
e sentimos as sensações,
da criança que temos dentro de nós,
escondida,
aguardando, sempre à espreita,
o momento de sair.
Temos de viver como crianças... deixar a vida sorrir.


Poema de
autor anónimo