quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

..FELIZ ANO... VELHO???

Como será o Novo Ano ?
Pergunto, pelo receio
causado pela frustração
que me foi este ano insano
com confusões de permeio,
das que ferem o coração!
Desemprego aumentado...
muitas famílias sem pão...
todo um Povo assoberbado
por viver uma ilusão!
Até o tempo está mudado...
...prenúncios de fim do mundo?
Para muito está acabado
pois finda a cada segundo!
Um Novo Ano chegará
quando caír a meia noite...
...que novidades trará?
Bom será que me afoite!
Mesmo assim vou desejar
a todo aquele que me lêr
felicidades sem parar...
...saúde...dinheiro...saber!
E que não falte o Amor,
a base de um bom viver!
E que o Bom Deus, por favor,
nos faça felizes a valer!
*
UM ANO VENTUROSO,
COM PAZ... SAÚDE... ALEGRIA...
E QUE NÃO FALTE NA MESA
"O PÃO NOSSO DE CADA DIA!"

sábado, 12 de dezembro de 2009


COM ALEGRIA E PAZ!!!
A todas as pessoas Amigas que costumam dar-me o prazer de lerem os " meus" trabalhos postados neste blog, desejo que o tenham um
BOM ANO 2010, pleno de realizações pessoais.
BOAS FESTAS!!!

É NATAL... alegrem-se os corações!


Natal...
*
Se considero o triste abatimento
Em que me faz jazer minha desgraça,
A desesperação me despedaça,
No mesmo instante, o frágil sofrimento.
Mas súbito me diz o pensamento,
Para aplacar-me a dor que me traspassa,
Que Este que trouxe ao mundo a Lei da Graça,
Teve num vil presépio o nascimento.
Vejo na palha o Redentor chorando,
Ao lado a Mãe, prostrados os pastores,
A milagrosa estrela os reis guiando.
Vejo-O morrer depois, ó pecadores,
Por nós, e fecho os olhos, adorando
Os castigos do Céu como favores.
***
Manuel Maria Barbosa du Bocage

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

EM BREVE SERÁ NATAL...

... e eu sinto angústia ao vêr aqueles que não sabem o que é o Natal!
- Sinto uma dôr profunda quando vejo crianças que não sentem:
... - o calor de um lar...
... - carinho de uma família...
... - o conforto de um afago...
... - a ternura de um afecto...
... - o sabor de um pedaço de pão...
... e a minha alma chora, porque chegou o Advento e o Natal está próximo!
- Será o tempo das luzes feéricas a proliferarem por toda a cidade, num alucinante ritmo de acende-apaga-acende-apaga, das músicas alegres e cânticos saídos de vozes angelicais, com letras que falam de "GLÓRIA ADEUS NAS ALTURAS... E PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE!".
É aqui que o meu coração parece chorar, porque há tanta gente sem Natal... precisamente porque não se vêem homens de boa vontade em propiciar essa paz que os céus proclamaram naquela noite suprema em que Jesus Cristo, por amor aos Homens de todos os tempos, assumiu a Sua Humanidade para salvação de todos nós!
Será possível caminhar-se para o Natal sem recordar aquelas crianças que vivem muito para além do sofrimento humano, porque não vêem sequer ser respeitados os seus direitos de ser crianças?
Será possível pensar em consoadas, no perú tradicional, no calor da família que se reúne na celebração do nascimento daquele que veio como sinal de AMOR, quando sabemos que há tantos sem abrigo, tantos idosos abandonados pelos filhos, tantas famílias a quem falta o equilíbrio que lhes poderá ser proporcionado pelo amor em plenitude?
É no Advento que preparamos a vinda de Cristo...
...é no Advento que devemos reflectir sobre o Natal que queremos viver com aqueles que nos são queridos, sem perder a noção de que é no nosso próximo que encontramos o verdadeiro sentido do Natal.
Que o Advento nos abra os corações para que seja uma realidade A GLÓRIA A DEUS NOS CÉUS E A PAZ NA TERRA ENTRE OS HOMENS!
Então será mesmo Natal!

domingo, 1 de novembro de 2009

Sophia de Mello Bryner

Retrato de Sophia, por Arpad
.
O poema
.

O poema me levará no tempo

Quando eu já não for eu

E passarei sozinha

Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá

Às searas

Sua passagem se confundirá

Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará

O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes

Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas

Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará

Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas

De funda e devorada solidão

Alguém seu próprio ser confundirá

Com o poema no tempo
-
Sophia de Mello Bryner Andersen
Livro Sexto (1962)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

SONHOS... COM SAUDADE...

Ode ao Emigrante
*
Longe da pátria, sob um céu diverso
Onde o sol como aqui tanto não arde,
Chorei saudades do meu lar querido
- Ave sem ninho que suspira à tarde!

No mar – de noite – solitário e triste
Fitando os lumes que no céu tremiam,
Ávido e louco nos meus sonhos d’alma
- Folguei nos campos que meus olhos viam!
Era pátria e família e tudo,
Glória, amores, mocidade e crença,
E, todo em choros, vim beijar as praias
- Porque chorara nessa longa ausência.

Eis-me na pátria, no país das flores,
- O filho pródigo a seus lares volve,
E consertando as suas vestes rotas,
- O seu passado com prazer revolve! ---

Eis meu lar, minha casa, meus amores,
A terra onde nasci, meu tecto amigo,
A gruta, a sombra, a solidão, o rio
Onde o amor me nasceu – cresceu comigo!

Os mesmos campos que eu deixei criança,
Árvores novas ... tanta flor no prado !....
Oh! Como és linda, minha terra d’alma,
- Noiva enfeitada para o seu noivado! ---

Foi aqui, foi ali,... além,... mais longe,
Que eu sentei-me a chorar no fim do dia;
Là vejo o atalho que vai dar na várzea ...
- Lá o barranco por onde eu subia! ...

Acho agora mais seca a cachoeira
Onde banhei-me no infantil cansaço ...
- Como está velho o laranjal tamanho
Onde eu caçava o sanhaçu a laço! ...

Como eu me lembro dos meus dias puros!
Nada m’esquece! ... e esquecer quem há-de?...
- Cada pedra que eu palpo, ou tronco, ou folha,
- Fala-me ainda dessa doce idade!

Eu me remoço recordando a infância,
E tanto a vida me palpita agora
Que eu dera,... oh! Deus!, a mocidade inteira
- Por um só dia do viver de outrora!

(Autor: Casimiro de Abreu)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

CESÁRIO VERDE



*

Naquele pique-nique de burguesas,

Houve uma coisa simplesmente bela,

E que, sem ter história nem grandezas,

Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,

Foste colher, sem imposturas tolas,

A um granzoal azul de grão-de-bico

Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,

Nós acampámos, inda o Sol se via;

E houve talhadas de melão, damascos,

E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro a sair da renda

Dos teus dois seios como duas rolas,

Era o supremo encanto da merenda

O ramalhete rubro das papoulas

*

da poesia de Cesário Verde

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Poesia Portuguesa

Poema do silêncio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.
*
Poema de José Régio

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Os Portadores de Sonhos

Em todas as profecias está prevista
a destruição do mundo.
Todas as profecias dizem que o homem criará
a sua própria destruição.
Porém os séculos e a vida, que sempre se renovam,
criariam também uma geração
de amantes e sonhadores;
homens e mulheres que não sonharam
com a destruição do mundo,
e sim com a construção do mundo das mariposas
e dos rouxinóis.
Desde pequeninos vinham marcados pelo amor.
Por trás de sua aparência quotidiana
guardavam a ternura e o sol da meia-noite.
Suas mães os encontraram
chorando por um pássaro morto
e mais tarde muitos foram encontrados
mortos como pássaros.
Estes seres coabitaram com mulheres translúcidas
e elas ficaram prenhes de mel
e de filhos reverdecidos por um inverno de carícias.
Foi assim que proliferaram no mundo
os portadores de sonhos,
atacados ferozmente pelos portadores de profecias
que falavam de catástrofes.
Foram chamados iludidos, românticos,
pensadores de utopias,
disseram que suas palavras eram velhas
- e de fato eram porque a memória do paraíso
é antiga no coração do homem -
os acumuladores de riquezas os temiam
e lançavam seus exércitos contra eles,
mas os portadores de sonhos
faziam amor todas as noites
e do seu ventre brotava a semente
que não somente portava sonhos
mas que os multiplicavam e os fazia correr e falar.
E assim o mundo criou de novo a sua vida
da mesma forma que havia criado
os que inventaram a maneira de apagar o sol.
Os portadores de sonhos sobreviveram
aos climas gélidos
e nos climas quentes pareciam brotar
por geração espontânea.
Quem sabe as palmeiras, os céus azuis,
as chuvas torrenciais tiveram a ver com isso,
a verdade é que, como formiguinhas operárias,
estes espécimes não deixavam de sonhar
e construir mundos formosos,
mundo de irmãos, de homens e mulheres
que se chamavam companheiros,
que se ensinavam a ler uns aos outros,
consolavam-se diante da morte,
se curavam e se cuidavam entre si,
se ajudavam na arte de querer
na defesa da felicidade.
Eram felizes em seu mundo de açúcar e de vento
e de todas as partes vinha gente
impregnar-se de alento e de suas claras percepções
e de lá partiam os que os haviam conhecido
portando sonhos, sonhando com novas profecias
que falavam de tempos de mariposas e rouxinóis,
onde o mundo não haveria de findar na hecatombe
mas onde os cientistas desenhariam fontes, jardins,
brinquedos surpreendentes
para fazer mais gostosa a felicidade do homem.
São perigosos - imprimiam as grandes rotativas -
São perigosos - diziam os presidentes em seus discursos - ,
São perigosos - murmuravam os artífices da guerra -
Devem ser destruídos
- imprimiam as grandes rotativas - .
Os portadores de sonhos conheciam seu poder
e por isso nada achavam de estranho
E sabiam também que a vida os havia criado
para proteger-se da morte que as profecias anunciam
E por isso defendiam sua vida até a morte
E por isso cultivavam os jardins de sonhos
e os exportavam com grandes laços coloridos
e os profetas obscuros passavam noites
e dias inteiros vigiando
as passagens e os caminhos
procurando essas cargas perigosas
que nunca conseguiram encontrar
porque quem não tem olhos para sonhar
não enxerga os sonhos nem de dia, nem de noite.
E no mundo sucedeu um grande tráfico de sonhos
que os traficantes da morte não podiam estancar;
em todas as partes há pacotes com laços de fita
que só esta nova raça de homens pode ver
e a semente destes sonhos não se pode detectar
porque está envolta em corações vermelhos.
*
Um poema de
Gioconda Belli

segunda-feira, 20 de julho de 2009

ODE AOS REIS CRISTÃOS

Onde, onde assi cruéis
Correis tão furiosos
Não contra os infiéis
Bárbaros poderosos
Turcos de nossos roubos gloriosos?
Não para a mal perdida
Cabeça do Oriente
Nos ser restituída
Tão pia, e cristãmente,
Roubo a vós feio,
e rico à Turca gente,
Não para a Casa Santa,
Santa Terra pisada
Dos infiéis com tanta
Afronta vossa, armada
A mão vos vejo,
nem bandeira alçada.
Nem para em fogo arder
Desde chão té às ameias
Meca, e Cairo; e se ver
Trazido em mil cadeias
Em triunfo o seu Rei com nossas preias.
Ah cegos, contra vós
Vos leva cruel furor!
Ah que fartando em nós,
E em vosso sangue o ardor,
Que o inimigo tem fazei-lo vencedor.
Vós armas, vós lhes dais
Ao covarde ousadia,
Em quanto vos matais,
Eis Rodes, eis Hungria
Em sangue, em fogo, em nova tirania.
Paz santa dos Céus dada
Por via só, e bem nosso
Como tão desprezada
Deste justo ódio vosso
Reis Cristãos, té cruéis chamar-vos posso.
nunca se viu fereza
A esta, que usais igual,
Armados de crueza
Um ao outro animal
Da mesma natureza não faz mal.
Tornai, tornai, ó Reis
À paz, tende-vos ora,
Olhai-vos, e vereis
Com quanta razão chora
A Cristandade a paz que lançais fora
*
Poema de António Ferreira

sábado, 11 de julho de 2009

Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia
Todo o tempo é de poesia
Entre bombas que deflagram.

Corolas que se desdobram.

Corpos que em sangue soçobram.

Vidas qu'a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.

Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.
*
António Gedeão

sexta-feira, 12 de junho de 2009

DIA DE SANTO ANTÓNIO

ORAÇÃO A SANTO ANTÓNIO
*
Santo António! Santo António!
Ó meu santinho tão querido,
Quero pedir-te, em segredo,
se me arranjas um marido.
Não é pra já... nada disso!
porque ainda sou criança,
e não posso ter compromisso,
mas posso ter esperança...
Que vá o tempo passando,
vá o senhor me arranjando...
...em todo o caso, a meu ver,
já que o tempo é tanto assim,
há tempo para escolher
um bom marido pra mim.
Eu quero um moço fagueiro
alto, bonito, valente,
que ganhe bastante dinheiro
e me dê muito presente.
Que seja rapaz direito
e um não tolo atrevido,
pois que seja assim com o jeito
do meu papaizinho tão querido.
Não é pra já, não senhor!
Mas... seja lá como for,
mais dia ou menos dia...
...não quero é ficar pra tia!
*
Poema de: Magdalena Léa

quinta-feira, 11 de junho de 2009

NA NOITE DE SANTO ANTÓNIO...

...olhem as Marchas a passar!
Nos Bairros é o pandemónio
pois todos querem ganhar!
*
Quadra de Victor Elias

Santo Antônio de Lisboa
Era um grande pregador
Mas é por ser Santo Antônio
Que as moças lhe têm amor.

Esta de decote pequeno,
tem ar modesto e tranqüilo;
Mas vá-se lá descobrir
Coisa pior do que aquilo!

Aquela loura de preto
Com uma flor branca no peito,
É o retrato completo
De como alguém é perfeito.
*
Quadras de
Fernando Pessoa
Sem que discurso eu pedisse,
ele falou, e eu escutei.
Gostei do que ele não disse;
do que disse não gostei.
*
Quadra de António Aleixo
dedicada ao P.Ministro

domingo, 7 de junho de 2009

Momentos de poesia...

CRIME E CASTIGO
-
Essas palavras são testemunhas
de que não esqueço...
testemunham em favor de lembranças...
Não porque as tenha para explicar,
os motivos, mas porque ouço o eco
dos seus significados...
Como sei seus segredos? Roubei-os,
enquanto se repetiam,
e estas palavras tem de confessar!
Se torturo as palavras,
Amarradas nos laços dos meus atos,
é porque elas nunca me deixaram esquecer,
e quanto mais as torturo,
mais elas me fazem lembrar. Esqueci?
São lembranças sobre lembranças,
Porque então mantê-las cativas,
se mesmo o nosso silêncio nos comunica?
Porque movemos o tempo entre nós,
nossas intenções explicitas!
Se estas são apenas inocentes,
é porque merecem qualquer castigo que tenham!
Se são culpadas é por se entregarem
para a própria culpa que não deveria
ser cultivada no lugar dos seus significados,
Que deveriam ser superados
para todo o tempo...
Assim, essas palavras são cada letra:
uma barra, das grades de uma cela,
da prisão sempre próxima,
em longos raios oblíquos em poente
rasgando a unha, o mesmo céu virgem
privado do seu sossego,
se esfregando nos cantos das expressões,
mais vulgares, iluminando-as,
da liberdade de não terem significado...
Vamos, sossega o mundo!
Que animal selvagem nenhum merece castigo,
de crime pior do que nunca ter existido,
e ao se pronunciar, já se inflama
vindo do interior da cela do nada...
e sentencia nosso futuro
à inocência do presente...
.
Poema de autor desconhecido

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Dia da Família

Mensagem à família
+
Na educação de nossos filhos
Todo exagero é negativo.
Responda-lhe, não o instrua.
Proteja-o, não o cubra.
Ajude-o, não o substitua.
Abrigue-o, não o esconda.
Ame-o, não o idolatre.
Acompanhe-o, não o leve.
Mostre-lhe o perigo, não o atemorize.
Inclua-o, não o isole.
Alimente suas esperanças, não as descarte.
Não exija que seja o melhor,
peça-lhe para ser bom e dê exemplo.
Não o mime em demasia, rodeie-o de amor.
Não o mande estudar,
prepare-lhe um clima de estudo.
Não fabrique um castelo para ele,
vivam todos com naturalidade.
Não o ensine a ser,
seja você como quer que ele seja.
Não lhe dedique a vida, vivam todos.
Lembre-se de que seu filho não o escuta,
ele o olha.
E, finalmente,
quando a gaiola do canário se quebrar,
não compre outra...
...ensina-o a viver sem portas.
+

sábado, 2 de maio de 2009

O DIA DA MÃE...

QUERIDA MAMÃE
*
Tu que nos guardaste
em teu ventre aquecido
e do mundo fomos protegidos...
Tu que nos trouxeste para a vida,
o que mais poderiamos querer?
Nos deste um cantinho dentro de ti
e já crescidinhos ,
nascemos para te conhecer...
Em teus braços fomos acalentados
com teu amor e dedicação.
Nosso coração por ti,
todos os dias acariciado...
Te conhecer por fora
é só uma forma de nos fortalecer para o mundo,
mas o que há de mais profundo
vem do teu íntimo Ser...
Oh! maravalhosa Criatura...
Nascida do Amor Divino
que nos ampara
a todos os momentos de nosso Viver!
O que mais poderiamos querer?
Rogar com todas as forças
que Deus abençoe a todas as mães
e se nem sempre ao nosso lado podemos te ter
até tua lembrança nos faz reviver...
que maravilha ...
você nunca estará sozinha,
Querida Mamãe!
*

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Momentos...


A UM POETA
*
Tu, que dormes, espírito sereno,

Posto à sombra dos cedros seculares,

Como um levita à sombra dos altares,

Longe da luta e do fragor terreno,

Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,

Afuguentou as larvas tumulares...

Para surgir do seio desses mares,

Um mundo novo espera só um aceno...

Escuta! é a grande voz das multidões!

São teus irmãos, que se erguem!

são canções...

...mas de guerra...

e são vozes de rebate!

Ergue-te pois, soldado do Futuro,

E dos raios de luz do sonho puro,

Sonhador, faze espada de combate!
*
Autor:
Antero de Quental

domingo, 12 de abril de 2009

CRISTO VIVE !

Manhã da Ressurreição
*+*
O túmulo rompeu-se e a pedra rolou!
Eis que de pé, vitorioso renasce Jesus!
Do infinito parto da Natureza e do Céu
ressurge livre, vencedor o Filho Amado.
Ontem morto e enterrado.
Termina, enfim,
a teimosia cansativa entre o homem
e seu criador
alguns lençóis, placentas inúteis,
restos da morte
que agoniza faixas manchadas do pecado vencido.
Voam pelo ar, no chão em festa, feito jardim
por onde passeia sorridente
o jardineiro imortal.
Tudo é surpresa e espanto
tudo é certeza e encanto.
Os convidados e seguidores cantam alvíssaras
Maria, a mulher símbolo
suspira aliviada e segura
uma lágrima feliz terá corrido rápida
fazendo ponto final, no seu papel genial
por ela somos benditos também,
quem não diria Amém?
Enquanto os filhos da morte
envergonhados, insistem em combater
de boca em boca, de casa em casa,
de nação em nação
corre veloz a notícia feliz:
"Jesus ressuscitou!!!"
Quem crê, saia depressa, correndo
atrás de Madalena, de Pedro, de João...
A vitória será sempre da VIDA!
E cada esforço, cada luta,
cada gota de sangue derramado
pela justiça não terá sido em vão...
A última palavra será:
RESSURREIÇÃO!
+*+
Autor desconhecido
in Mensagens e Poemas

sexta-feira, 10 de abril de 2009

NA SEXTA FEIRA DA PAIXÃO


ORAÇÃO DE UM JUSTO
*
Eu quero orar e obter resposta
Eu quero bater e ser atendido
Eu quero buscar e achar
Eu quero, eu preciso ser feliz

Eu quero bater na porta e ser atendido
Eu quero sentir a tua mão tocar a minha
Eu quero ouvir você dizer- Filho eu te amo

Eu quero que a minha oração passe deste teto
Eu quero que ela seja a minha direção
Eu quero receber o meu pedido urgente
Eu tenho fé, eu quero sair desta solidão.

A oração de um justo tu prometes atender
Nós buscamos a justiça que vem de ti
Pelo poder sobrenatural nos ajoelhamos
com as mãos erguidas clamamos.

Orar é pedir,é insistir tendo fé
É crer,buscar,bater, achar,insistir
Cremos nesta fuga espiritual
Cremos num Deus sem igual.
Não murmure,não reclame,
Não perca teu tempo
Ninguém irá parar para te ouvir.

Há um caminho, há um preço a ser pago
Existe alguém que já pagou este preço
Preço alto com a morte na Cruz
Este alguém chama-se Jesus.

Ore,clame, busque Deus em oração
Gaste teus joelhos no chão
Ligue para o céu
Não espere por homens ou mulheres
Eles irão te decepcionar.

Só Deus pode ouvir a tua oração,
Seja humilde, claro,peça ele te ouvirá
Seja um farol de oração como Daniel
Seja fiel, busque a palavra do senhor
Faça de tua vida um palco de amor
Clame,insista, faça um clamor.

A oração é a arma poderosa do crente
Não custou petrodólares esta unção
Custou o sangue de Cristo
Derramado na cruz
Cristo ressurreto, Cristo vencedor.
Cristo vitorioso, Cristo é amor.
+
Autor:
desconhecido

terça-feira, 7 de abril de 2009

A SEMANA MAIOR...

Dobram tristes na igreja
Na torre que se agiganta
Os sinos p'ra quem deseja
Viver a Semana Santa...
Morreu Cristo numa cruz
Pela bondade ser tanta
P'lo martírio de Jesus
Se evoca a Semana Santa...
Há cânticos da paixão
Que algum povo crente canta
Cultos de celebração
Próprios da Semana Santa.
Há quem faça penitência
E se almoça já não janta
Em jejum e abstinência
Durante a Semana Santa.
Neste mundo atormentado
Que a maldade desencanta
Devia ser transformado
Pra sempre em Semana Santa.
O mais profundo sentido
Que tem a Semana Santa
É quando Cristo remido
Do sepulcro se levanta !
***

terça-feira, 31 de março de 2009

O DIA DAS MENTIRAS

MENTIRAS
*
Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.
Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!
Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…
Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

domingo, 29 de março de 2009

Momento de poesia...


O CONVERTIDO
*
Entre os filhos dum século maldito
Tomei também lugar na ímpia mesa,
Onde, sob o folgar, geme a tristeza
Duma ânsia impotente de infinito.
Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza…
Mas um dia abalou-se-me a firmeza,
Deu-me um rebate o coração contrito!
Erma, cheia de tédio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!
Amortalhei na Fé o pensamento,
E achei a paz na inércia e esquecimento…
Só me falta saber se Deus existe
*
Autor:
Antero de Quental

terça-feira, 17 de março de 2009

O DIA DO PAI - 19/MARÇO

Paizinho, tú és um herói!

Dizes-me que sou o futuro,
mas, por favor, querido Pai,
ampara o meu presente!
Afirmas que sou a esperança da paz!
Não permitas que o mundo me induza à guerra!
Dizes-me que sou a promessa do bem...
...preserva-me do ódio, que leva ao mal!
Com ternura, dizes que sou a luz dos teus olhos...
Querido Pai: não me abandones nas trevas!
Não espero sómente pelo teu pão;
Quero sentir o calor da tua mão na minha!
Não desejo somente a festa do teu carinho...
...mas suplico-te o carinho que educa!
Não sou apenas o ornamento da tua vida,
porque quero ser o orgulho de todos os teus momentos!
Dizes que sou o futuro de um amor puro...
... não permitas que nada possa macular a minha pureza!
Querido Pai: Dizes que vivo num mundo da fantasia...
então orienta-me para que:
- os meus sonhos sejam de bondade,
- os meus actos sejam de justiça,
- a minha fé em Deus seja inabalável.
Ensina-me, meu Pai, o valor do trabalho...
...a nobreza da humildade...
...a força do perdão, e sobretudo,
Pai querido, sou eu que te peço,
corrige-me enquanto é tempo...
...ainda que eu possa sofrer...
Ajuda-me hoje, para que amanhã...
eu não te venha a fazer chorar.


( autor desconhecido)

sexta-feira, 6 de março de 2009

UM DIA A RECORDAR


SONETO PARA TI

*
Paixão do Próprio Deus
Em Maria Nossa Senhora
Aceita estes Versos meus
Para te cantar nesta hora

A Formosura Encarnada
Febre de tanta Paixão
Mulher é Bruxa e Fada
Que nos tira o sono e razão

Mulher é Mãe de Ternura
Elo na Vida o Principal
Nela está toda a Candura

De um colo tão maternal
Que até esta vida tão dura
Não parece ter qualquer mal!

*
Autor desconhecido

domingo, 1 de março de 2009

RAIZ DE ORVALHO...

dddd
Sou agora menos eu
e os sonhos
que sonhara ter
em outros leitos despertaram
dddd
Quem me dera acontecer
essa morte
de que se não morre
e para um outro fruto
me tentar seiva ascendendo
porque perdi a audácia
do meu próprio destino
soltei a ânsia
do meu próprio delírio
e agora sinto
tudo o que os outros sentem
sofro do que eles não sofrem
anoiteço na sua lonjura
e vivendo na vida
que deles desertou
ofereço o mar
que em mim se abre
à viagem mil vezes adiada
dddd
De quando em quando
me perco
na procura da raiz do orvalho
e se de mim me desencontro
foi porque de todos os homens
se tornaram todas as coisas
como se todas elas fossem
o eco das mãos
a casa dos gestos
como se todas as coisas
me olhassem
com os olhos de todos os homens
dddd
Assim me debruço
na janela do poema
escolho a minha própria neblina
e permito-me ouvir
o leve respirar dos objectos
sepultados em silencio
e eu invento o que escrevo
escrevendo para me inventar
e tudo me adormece
porque tudo desperta
a secreta voz da infância
dddd
Amam-me demasiado
as coisas de que me lembro
e eu entrego-me
como se furtasse
à sonolenta carícia
desse corpo que faço nescer
dos versos
a que livremente me condeno.
dddd
Um poema de Mia Couto
(Agosto 1982)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

DIA DE CARNAVAL OU ENTRUDO

O Carnaval é festejado nos três dias que antecedem a Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e se prolonga até à Páscoa.
É preciso dizer que a Quaresma é um tempo de jejum, por isso o Carnaval era a última oportunidade para cometer alguns excessos...
Há diversas origens possíveis para o Carnaval, que remontam a 10 000 anos antes de Cristo, segundo alguns estudiosos.
No tempo dos romanos era uma altura de excessos, em que tudo (ou quase) era permitido: os escravos faziam de senhores e os senhores de escravos.
Bebia-se e comia-se até mais não poder, mas só durante aqueles dias...
Noutros tempos, já na era cristã, a época carnavalesca começava mesmo no Dia dos Reis, a 6 de Janeiro.
A partir de então, os domingos eram assinalados por festas já carnavalescas e grandes comezainas, o que levou a chamar-lhes Domingos Gordos.
A palavra "carnaval" pode ter sua origem na expressão latina "carrum novalis", com a qual os romanos abriam seus festejos, ou na palavra carnelevale, do dialeto milanês (de Milão, Itália), que significa "adeus à carne" - uma alusão ao início da quaresma cristã.

Entrudo quer dizer "entrada na quaresma".
O Carnaval, na verdade são mesmo três dias: começa no Domingo Gordo, segue-se a segunda-feira de Carnaval, o Entrudo (a terça-feira), que é o dia principal, e a quarta-feira de cinzas, que já não conta é o início da Quaresma...
Antigamente o Carnaval era o tempo de todos os excessos: os homens vestiam-se de mulheres, as mulheres de homens e alguns até de diabretes.Ficavam todos irreconhecíveis! Hoje em dia é só mais uma festa em que aproveitamos para nos divertirmos

domingo, 15 de fevereiro de 2009

SER MULHER É...

.
Ser mulher é viver mil vezes numa vida apenas ,
é lutar por causas perdidas
e sempre sair vencedora,
é estar antes do ontem e depois do amanhã,
é desconhecer a palavra recompensa
apesar dos seus actos.
Ser mulher é caminhar na dúvida cheia de certezas,
é correr atrás das nuvens num dia de sol
e alcançar o sol num dia de chuva.
Ser mulher é chorar de alegria
e muitas vezes sorrir com tristeza,
é cancelar sonhos em prol de terceiros,
é acreditar quando ninguém mais acredita,
é esperar quando ninguém mais espera.
Ser mulher é identificar um sorriso triste
e uma lágrima falsa,
é ser enganada e sempre dar mais uma chance,
é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda.
Ser mulher é estar em mil lugares de uma só vez,
é fazer mil papéis ao mesmo tempo,
é ser forte e fingir que é frágil p'ra ter um carinho.
Ser mulher é se perder em palavras
e depois perceber que se encontrou nelas,
é distribuir emoções que nem sempre são captadas.
Ser mulher é comprar, emprestar, alugar,
vender sentimentos, mas jamais dever,
é construir castelos na areia,
vê-los desmoronados pelas águas
e ainda assim amá-las.
Ser mulher é saber dar o perdão,
é tentar recuperar o irrecuperável,
é entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.
Ser mulher é estender a mão a quem ainda não pediu,
é doar o que ainda não foi solicitado.
Ser mulher é não ter vergonha de chorar por amor,
é saber a hora certa do fim,
é esperar sempre por um recomeço.
Ser mulher é ter a arrogância de viver
apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e das decepções.
Ser mulher é ser mãe dos seus filhos
e dos filhos de outros e ama-los igualmente.
Ser mulher é ter confiança no amanhã
e aceitação pelo ontem,
é desbravar caminhos difíceis
em instantes inoportunos
e fincar a bandeira da conquista.
Ser mulher é entender as fases da lua
por ter suas próprias fases.
É ser "nova" quando o coração está a espera do amor,
ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor,
ser cheia quando ele já está transbordando de tanto amor
e minguante quando esse amor vai embora.
Ser mulher é hospedar dentro de si o sentimento do perdão,
é voltar no tempo todos os dias
e viver por poucos instantes
coisas que nunca ficaram esquecidas.
Ser mulher é cicatrizar feridas de outros
e inúmeras vezes deixar as suas próprias feridas sangrando.
Ser mulher é ser princesa aos 20,
rainha aos 30,
imperatriz aos 40
e especial a vida toda.
Ser mulher é conseguir encontrar uma flor no deserto,
água na seca e labaredas no mar.
Ser mulher é chorar calada as dores do mundo
e em apenas um segundo já estar sorrindo.
Ser mulher é subir degraus
e se os tiver que descer não precisar de ajuda,
é tropeçar, cair e voltar a andar.
Ser mulher é saber ser super-homem...
quando o sol nasce
e virar cinderela quando a noite chega.
Ser mulher é ter sido escolhida por Deus
para colocar no mundo os homens.
Ser mulher é acima de tudo um estado de espírito,
é uma dádiva, é ter dentro de si um tesouro escondido
e ainda assim dividi-lo com o mundo!
.
Autor desconhecido