sábado, 14 de agosto de 2010

Lendas de Portugal - Terra da Galega

Uma das mais típicas e progressivas vilas do Ribatejo é a Golegã.
Há muitos anos era apenas uma pequena povoação que os antigos conheciam como "Terra da Galega" e conta-se que este nome deriva de uma história que vale a pena resumir.
No meio da planície ribatejana, distando apenas 5 quilómetros das margens do rio Tejo, podemos encontrar a pitoresca e curiosa Vila da Golegã, onde todos os anos se realiza a tradicional Feira de São Martinho, que é das mais famosas feiras de Portugal.
Esta terra não tem só a história da sua Feira do Cavalo ou de S. Martinho, pois há uma outra história que se prende com as raízes da nacionalidade e nada tem a vêr com o fandango, alma e poesia ribatejana.
Nos tempos a que reporta esta história - reza a lenda muito antiga de onde deriva - estava Portugal a dar os primeiros passos e a Golegã não existia, não passando a zona de um terreno pedregoso e aparentemente inútil. Eram as Terras do Demo - nome porque eram conhecidos todos os terrenos descampados onde não se via viva alma.
Um dia aconteceu uma mulher, oriunda da Galiza e residente em Santarém, se ter metido a caminho para tratar da vida. Tinha pela frente uma longa e penosa jornada. Quando chegou ao local ermo onde hoje se estende a Golegã, pensou decerto o mesmo que pensavam quase todos os caminhantes que por ali passavam, de longada a Santarém ou na direcção de Coimbra. Pensou que seria bom existir ali uma locanda, onde se pudesse descansar um pouco, ganhando novas forças para prosseguir a jornada.
Era uma mulher animosa, aquela. Desde criança que se habituara a trabalhar e a vencer sózinha.
Olhou em redor, enquanto se retemperava, e voltou a pensar na mesma ideia. Eram terras sem dono, essas terras agrestes e abandonadas. E se ela se ficasse por ali? E se ela construísse ali uma pequena estalagem onde se abrigassem os viajantes?... E se bem o pensou, melhor o fez, segundo a lenda. Tinha braços fortes e alma de antes quebrar que torcer. Em pouco tempo ergueu a sua venda, embora modesta, e colocou uma nota de vida naquele local outrora deserto. O viandantes bendiziam a ideia e a Venda da Galega tornou-se paragem obrigatória. A mulher era esforçada e tinha vontade em atender a todos da melhor maneira.
Um dia um fidalgo desenvolto e impertinente requereu para si o melhor quinhão da comida e da bebida.
- Galega, chega aqui... Viste o vinho que me deitastes? - Eram constantes as recriminações, porque queria chamar a atenção dela... por estar interessado em lhe ficar com o local.
Depois de várias peripécias, a Galega aperfilhou a jovem filha de um cliente idoso que lhe adoeceu e morreu na locanda. Este cliente tinha o sonho de ali construír uma povoação, a seguir à estalagem, pelo que a Galega tomou a decisão de levar o sonho do velho por diante, ajudando a orfã a prosseguir o sonho do pai.
O fidalgo insolente que lhe cobiçava a locanda, foi posto a milhas. A Terra das Galega nasceu...cresceu e. mudando de nome, tornou-se na terra da Golegã.
O que faz o querer...