domingo, 3 de julho de 2011

Ao sabor da pena... sem pena!


Muitas vezes nos interrogamos sobre o sentido que tem perpetuar a memória das coisas através de monumentos de ordem vária, uns de tão vincado mau gosto que o homenageado parece mais estar a ser vilpendiado que outra coisa... mas o contrário também acontece, pois há também algum bom gosto a mostrar que se gostava realmente daqueles a quem respeitam tais monumentos... ou então o monumento ultrapassa o mérito em absoluto.

No alto do Parque Eduardo VII há um exemplo acabado de mau gosto, pois o artista não se coibiu de mostrar a sua arte na homenagem à Revolução de Abril, mas mais parece que se referia a um tema bem diferente, dado o resultado conseguido com os enormes pedregulhos que baptizou de... cravos. Mesmo que se diga que Mestre João Cutileiro utilizou a sua técnica escultórica mais conhecida, que é apreciada em grande parte do mundo, julgo poder dizer que falhou por completo na sua capacidade de convencer o Povo de que "aquilo" é um cravo e o monumento representa uma revolução, porque não vemos outra coisa que não um "objecto fálico" ou um foguetão dos tempos dos "Flinstones".
O Parque Eduardo VII não ficou bem servido, diga-se.
A maioria da monumentalidade que hoje vemos em Lisboa foi resultado da reconstrução da cidade após o terramoto de 1755.
Felizmente ainda foi possível "resgatar" algum património construído, que estaria menos destruído, como alguns espólios romanos e visigóticos, tal como árabes. 
Eram góticos os primitivos conventos de São Domingos e São Francisco, com as Igrejas anexas, que foram remodeladas posteriormente, tal como era gótico o Convento do Carmo, que se viu reduzido a ruínas desde o terramoto de 1755.
Outros monumentos que são das mais preciosas jóias da nossa arquitectura são o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém ou a fachada da igreja da Conceição Velha, em estilo manuelino, as igrejas de S. Roque e de S. Vicente de Fora, em estilo renascença jesuítica. Em estilo barroco encontramos a Igreja de Santa Engrácia, bem como a igreja e o convento da Graça, sendo a Basílica da Estrela um rico exemplar do estilo barroco e neoclássico.
Lisboa bem merece uma visita demorada, para que possamos admirar o seu vasto património arqueológico e museológico, pois este, para além do mais, tem um valor que transcende tudo aquilo que possamos imaginar.