quinta-feira, 14 de novembro de 2013

SER VETERANO MILITAR EM PORTUGAL




"...É graças aos soldados, e não aos sacerdotes, que podemos ter a religião que desejamos.
É graças aos soldados, e não aos jornalistas, que temos liberdade de imprensa. 
É graças aos soldados, e não aos poetas, que podemos falar em público.
É graças aos soldados, e não aos professores, que existe liberdade de ensino. 
É graças aos soldados, e não aos advogados, que existe o direito a um julgamento justo. 
É graças aos soldados, e não aos políticos, que podemos votar..."
 


BARACK OBAMA no MEMORIAL DAY (durante a cerimônia do Dia do Veterano) há alguns dias. 
Dedicado àqueles que perguntam: “Para que servem os militares?”

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Centenas de milhares de soldados portugueses combateram em nome do nosso país, desde o início do século XX até à actualidade.
Já não há sobreviventes do Corpo Expedicionário Português, enviado para a Flandres durante a 1ª Guerra Mundial, nem das forças que, nesse mesmo conflito, lutaram em África. O último veterano dessa guerra, José Maria Baptista, morreu no dia 14 de Dezembro de 2002.
Depois daquele conflito, as guerras foram, durante décadas, poupadas aos Portugueses,  mas  a partir de finais dos anos 1950, os Soldados e outras forças militarizadas voltaram a encontrar-se em situações de combate aberto, primeiro naquele que era o Ultramar português, depois em múltiplos teatros de guerra, em associação com forças armadas dos países da NATO e da União Europeia e em missões organizadas sob a égide das Nações Unidas. Independentemente das opiniões de cada um, para o Estado português todos estes soldados foram Combatentes, são hoje Veteranos ou Antigos Combatentes, mas deveria ser, sobretudo,  iguais. Não deveria haver, entre eles, diferenças de género, de missão ou de função. São Veteranos e foram soldados de Portugal. É assim que deveria ser, mas há muitas coisas que nos afastam das palavras sabias de Obama, como seja a dignidade conferida pelo estatuto de antigo Combatente, de Veterano de Guerra que não desejou ser, mas que as contingências e o martírio porque estavam a passar os nossos compatriotas que haviam escolhido labutar em terras de África, gritou mais alto!
Não foram, de modo algum, levados pelos vencimentos chorudos que hoje se pagam a um militar... para ir passar uns tempos no Kosovo, no Afeganistão, na Croácia ou em qualquer outro local onde seja necessário o seu braço armado.
Sinais dos tempos... pois nunca se pagaram prémios de seguro às famílias dos que pereceram no então Ultramar. Talvez fosse por serem Militares de 3ª. Classe, comparativamente aos de agora, pois faziam-se transportar em navios a ameaçar ruína, que transportavam Homens como se de sardinha enlatada se tratasse, em condições infra-humanas e não em modernas aeronaves, como agora acontece!
 
Vamos reflectir nisto: As coisas mais importantes do mundo são: disciplinar e ser disciplinado, educar e ser educado,treinar e ser treinado, acatar e se acatado, respeitar para ser respeitado, passar... porque um dia será ultrapassado, conquistar... para não ser conquistado, ser o melhor... até que outro conquiste o seu lugar.
A guerra ! É uma coisa demasiada grave para ser confiada aos militares.
Georges Clémenceau
É verdade que, por vezes, os militares, exagerando da impotência relativa da inteligência, descuram servir-se dela.
Charles de Gaulle
 
 Sente-se mágoa quando vemos a forma como os Veteranos de Guerra são tratados pelos nossos governantes. Sentimos que fomos obrigados a deixar as nossas profissões, os nossos familiares, os nossos amigos, para ir para uma guerra que não escolhemos, mas nela lutámos pelo País, dando o melhor de nós próprios... mas  hoje somos esquecidos, perdemos até o direito à dignidade de morrer, porque os Hospitais não se compadecem dos Veteranos, como está provado.

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