quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SONHOS...

Muitas vezes me pergunto, mentalmente como convém, o porquê dos sonhos, a razão que leva um cego a "vêr" coisas que nunca viu, porque os cegos, mesmo nunca tendo acedido à imagem,   também têm direito a sonhar e viver esses sonhos de modo a que possam  envolver todos os outros sentidos, como sejam os sons, o cheiro, os toques, as  emoções... Para uma pessoa que vê, torna-se  difícil  imaginar, mas o sono produz uma necessidade tão forte que o corpo até se torna capaz de lidar com quase todas as situações físicas para que tal aconteça.
A maior parte das vezes, quando sonhamos, quase  tudo se desvanece nos minutos seguintes após o havermos acordado,  pois logo nos  esquecemos cerca de metade dos sonhos tidos. O  poeta  Samuel Taylor Coleridge, acordando numa manhã, depois de ter tido um sonho fantástico – pegou numa caneta e no papel e começou a escrever a “visão de um sonho”, que o tornou num dos mais famosos poetas ingleses: Kubla Khan.
Parte desse poema já havia sido escrito - 54 linhas -, quando o poeta  foi interrompido por alguém. Ao voltar,  para continuar o poema, não conseguiu lembrar-se do resto do sonho, levando a que o  poema jamais fosse concluído.
A não ser que haja casos extremos de índole psicológica, todo o ser humano é capaz de sonhar, sendo curioso saber-se até que ponto duas pessoas,  que vivam uma mesma experiência num mesmo local e no mesmo tempo, irão ou não ter sonhos semelhamtes, pois sabe-se que  os homens e as mulheres têm sonhos diferentes  e reações físicas também diferentes, dado os homens terem uma tendência para sonhar mais sobre outros homens, enquanto nas mulheres  a tendência é para sonharem do mesmo modo sobre os homens e as mulheres, sem diferenciações.
Resulta ainda que , tanto os homens como as mulheres relacionam as reações físicas aos seus sonhos,  mesmo que estes não tenham um cariz sexual,  levando a que nos homens  seja costume  haver ereções e nas mulheres  o aumento do fluxo de sangue vaginal.
Nos  sonhos é frequente verem-se rostos estranhos , mas não se trata de rostos "inventados" pelo nosso subconsciente, uma vez que esses rostos são de pessoas reais, que fizeram parte das nossas vidas, mesmo que não o saibamos ou recordemos. O "assassino" do nosso  sonho de ontem poderá muito bem  ser aquela pessoa que abasteceu o carro da família quando nós ainda éramos  apenas crianças.
Qualquer um de nós já viu centenas de milhares de rostos durante as  nossas vidas, havendo por isso mesmo uma infinidade de personagens prontas para serem utilizadas pelo nosso cérebro durante os sonhos.
Talvez não seja uma novidade para muitos, mas cerca de 12% da população sonha apenas a preto e branco, enquanto o resto da população sonha "a cores".
As pessoas também  são levadas a  ter temas comuns para os sonhos, como, por exemplo, aqueles que se relacionam com a  escola, com o estar a aprendizagem a ser muito demorada ou o local onde se situa; as experiências sexuais;  alguém que está vivo,   aparecer morto; um dente que está a caír;  um acidente de carro, etc.
Ainda não se conhece até que ponto o impacto de um sonho relacionado com violência ou a morte é mais emocional para uma pessoa que sonha  a cores ou para aquela que sonha a preto e branco.
Os sonhos têm uma línguagem profundamente simbólica. A nossa mente, inconsciente, tenta comparar o que sonhamos a algo mais que lhe seja semelhante. Deste modo, qualquer que seja o  sonho tido, é bem  provável que se trate apenas de um símbolo.
Há uma outra curiosidade que é a chamada paralisia do sono, que acontece durante o sono como uma forma de evitar que o corpo se mova durante os sonhos. Este fenómeno natural acontece todas as noites, embora raramente seja notado pela própria pessoa enquanto dorme.
Momentos antes da mente despertar, a paralisia cessa, razão para que  raramente se tenha consciência da sua existência. Se, porventura, a mente despertar antes do mecanismo de paralisação ser desactivado, então ocorrerá a consciência da paralisia do sono e esta consciência pode ser bastante perturbadora, porque o indivíduo dará por si mesmo completamente paralisado, incapaz de mover os membros.
A mente está ainda  a atravessar um período de transição entre o estado de sono e o estado de vigilia (ou vice-versa) e nessa altura podem surgir alucinações hipnagógicas, por exemplo: a presença de uma pessoa... ouvir vozes ou sons... ter sensações de flutuação ou de se  estar a  saír do próprio corpo... imagens de pessoas... a visualização de objectos...  a sensação de estar a ver tudo em redor de si,  mesmo estando com os olhos fechados, etc.
As alucinações e a própria paralisia são inofensivas. A mente tem miríades de segredos que o Homem de todos os tempos vem procurando desvendar... mesmo que os caminhos da mente sejam quase sempre... insondáveis.